A claudicação (manqueira) em cães é um sinal que preocupa muitos tutores e veterinários, indicando dor ou instabilidade em um dos membros. Uma das causas mais frequentes, especialmente em cães de médio e grande porte, é a ruptura do Ligamento Cruzado Cranial (LCC). Avanços na medicina veterinária oferecem soluções eficazes, e a Osteotomia Niveladora do Platô Tibial, conhecida como cirurgia TPLO, destaca-se como um procedimento moderno e altamente bem-sucedido. Meu nome é William Tullio Conti, trabalho com Ortopedia Veterinária em SC há alguns anos (CRMV 6927) e hoje vou te conduzir nesse guia detalhado que explora a lesão do LCC e como a cirurgia TPLO em cães funciona, oferecendo uma nova perspectiva para animais com essa condição.
O Joelho do Seu Cão e a Lesão do Ligamento Cruzado: Entenda o Problema
Para compreender a lesão, é útil conhecer a estrutura do joelho canino. Ele é formado pela conexão do fêmur (osso da coxa) com a tíbia (principal osso da canela), com a patela (ou rótula) deslizando na sua frente. Dentro desta articulação complexa, ligamentos funcionam como “cordas” resistentes que garantem a estabilidade. Dois dos mais importantes são os ligamentos cruzados: o cranial (LCC) e o caudal (LCCa). Eles recebem esse nome porque se cruzam no interior do joelho, formando um “X”. O LCC, em particular, é análogo ao ligamento cruzado anterior (LCA) em humanos.
O que é o Ligamento Cruzado Canino e por que ele Rompe?
O Ligamento Cruzado Cranial (LCC) desempenha funções essenciais na estabilidade e biomecânica do joelho canino. Sua principal tarefa é impedir que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur, um movimento chamado de “deslocamento cranial da tíbia” ou “gaveta cranial”. Além disso, o LCC ajuda a limitar a hiperextensão do joelho e controla a rotação interna da tíbia.
Ao contrário do que ocorre frequentemente em humanos, onde a ruptura do LCA geralmente resulta de um trauma agudo (como uma lesão esportiva), a ruptura do LCC em cães é, na maioria das vezes, o resultado final de um processo degenerativo crônico. O ligamento enfraquece gradualmente ao longo de meses ou até anos antes de romper completamente, muitas vezes durante uma atividade normal, como correr ou pular.
Diversos fatores contribuem para essa degeneração:
- Envelhecimento: O desgaste natural associado à idade afeta a estrutura do ligamento.
- Conformação: A própria forma e alinhamento dos ossos da perna podem criar tensões excessivas sobre o LCC, como é o exemplo da luxação de patela que pode criar uma instabilidade na articulação do Pet.
- Genética e Raça: Algumas raças parecem ter maior predisposição, sugerindo um componente hereditário.
- Condição Física: Musculatura fraca oferece menos suporte à articulação.
- Obesidade: O excesso de peso aumenta significativamente a carga sobre as articulações, sendo um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença do LCC. Estudos mostram que cães com doença do LCC tendem a estar mais acima do peso ou obesos.
- Alterações Vasculares: Estudos histológicos indicam que a vascularização do LCC diminui significativamente após o primeiro ano de vida do cão, o que pode comprometer sua capacidade de reparo e contribuir para a degeneração.
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Agende uma consulta com nosso cirurgiãoEssa natureza degenerativa do processo tem uma implicação importante: como os fatores subjacentes (genética, conformação, peso) afetam o corpo do cão de forma sistêmica, o joelho oposto também está em risco. Estatísticas indicam que 40-60% dos cães que rompem o LCC em um joelho acabarão desenvolvendo o mesmo problema no outro joelho futuramente. Isso ressalta a importância de abordar fatores de risco controláveis, como o peso corporal, e de monitorar ambos os membros posteriores.
Sinais de que um Cão Pode Ter Rompido o Ligamento Cruzado
A apresentação clínica da ruptura do LCC pode variar. Alguns cães apresentam claudicação súbita e severa, sem conseguir apoiar a pata no chão. Em outros casos, especialmente em rupturas parciais ou no início do processo degenerativo, os sinais podem ser mais sutis. Tutores devem estar atentos a:
⚠️Fique atento aos Sinais
A Ruptura do Ligamento Cruzado Cranial (RLCCr) pode se manifestar através de diversos sinais, alguns sutis e outros evidentes. Observe atentamente o comportamento do seu cão.
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🐾Claudicação (manqueira): De intensidade variável, pode piorar após o repouso e melhorar um pouco com a atividade inicial.
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🛌Dificuldade para levantar: Ocorre após o pet estar sentado ou deitado, demonstrando rigidez ou dor.
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🐕Hesitação ou dificuldade para sentar: Conhecido como “teste do sentar positivo”, o cão pode esticar a perna afetada para o lado ao sentar.
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🚫Relutância em pular: Evita movimentos de impacto, como pular para dentro do carro, no sofá ou subir escadas.
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📉Diminuição do nível de atividade: Apresenta desinteresse por brincadeiras ou passeios que antes apreciava.
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💪Atrofia muscular: Perda visível de massa muscular na coxa da perna afetada, que parece mais “fina” que a outra.
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↔️Diminuição da amplitude de movimento: O joelho da perna afetada não dobra ou estica completamente como antes.
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🔊Estalidos ou cliques audíveis: Podem ser ouvidos ao movimentar o joelho, indicando possível lesão meniscal associada.
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✋Dor à palpação ou manipulação: O cão demonstra desconforto ou dor quando o joelho é tocado ou movimentado.
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뻣Rigidez: Especialmente notada após períodos de descanso (como ao acordar), com o cão levando um tempo para “aquecer” e começar a andar de forma mais fluida.
A presença de um ou mais destes sinais justifica uma avaliação completa por um médico veterinário. Apenas um profissional qualificado pode confirmar a lesão, avaliar sua gravidade e recomendar o tratamento mais eficaz para o seu companheiro.
Como o Diagnóstico da Ruptura do LCC é Realizado?
O diagnóstico de uma ruptura completa do LCC geralmente é feito pelo médico veterinário através da combinação da observação da marcha, histórico clínico e exame físico ortopédico. Durante o exame, o veterinário procura por sinais de dor, inchaço (efusão articular) e, crucialmente, instabilidade articular. Testes específicos como o “teste de gaveta cranial” e o “teste de compressão tibial” são realizados para detectar o movimento anormal da tíbia em relação ao fêmur, confirmando a ruptura do LCC.
Radiografias (raios-X) são essenciais para avaliar a presença de efusão articular, detectar sinais secundários de osteoartrite (OA) – que inevitavelmente se desenvolve com a instabilidade crônica – e para excluir outras causas de claudicação. Radiografias tiradas durante a manobra de compressão tibial podem ajudar a visualizar a instabilidade.
Rupturas parciais do LCC podem ser mais desafiadoras de diagnosticar, pois a instabilidade pode ser mínima ou ausente nos testes manuais. Nesses casos, sinais radiográficos sutis (como efusão ou início de OA) e a história clínica tornam-se ainda mais importantes. Ocasionalmente, pode ser necessário recorrer a métodos de imagem avançados, como tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM), ultrassonografia (US) ou mesmo a uma inspeção visual direta da articulação através de artroscopia (cirurgia minimamente invasiva com câmera) ou artrotomia (abertura cirúrgica da articulação) para confirmar o diagnóstico.
É fundamental reconhecer que mesmo os sinais iniciais e sutis de claudicação não devem ser ignorados. Como a doença do LCC é progressiva, o ligamento rompido não tem capacidade de cicatrização e rupturas parciais quase invariavelmente evoluem para rupturas completas, qualquer atraso no diagnóstico e tratamento permite que a instabilidade persista. Essa instabilidade contínua causa danos progressivos à cartilagem articular e acelera o desenvolvimento e a severidade da osteoartrite. Portanto, a identificação precoce dos sintomas e a busca por avaliação veterinária são cruciais para um melhor prognóstico a longo prazo.
O que Significa TPLO?
A sigla TPLO significa Osteotomia Niveladora do Platô Tibial. É um procedimento cirúrgico moderno e bastante eficaz usado no tratamento da ruptura do Ligamento Cruzado Cranial em cães.
A história da Osteotomia de Nivelamento do Platô Tibial (TPLO) começa com a frustração e a genialidade do Dr. Barclay Slocum. Antes dos anos 90, o tratamento para a ruptura do ligamento cruzado em cães grandes e ativos tinha resultados inconsistentes, pois as técnicas de sutura falhavam em neutralizar as forças biomecânicas anormais no joelho canino.
Com sua visão em física e matemática, Dr. Slocum observou que o problema central era a inclinação do platô tibial, que gerava uma força de deslizamento para frente a cada passo. Sua ideia revolucionária foi abandonar a tentativa de “reparar a corda” (o ligamento) para, em vez disso, “nivelar a rampa” (o platô tibial), alterando a geometria do osso e tornando o ligamento rompido mecanicamente irrelevante.
Dr. Slocum e sua colaboradora, Theresa Devine Slocum, introduziram formalmente a TPLO em uma publicação de 1993. A técnica consistia em um corte curvo na tíbia, permitindo que o platô tibial fosse rotacionado para reduzir sua inclinação. Para fixar o osso na nova posição, foi desenvolvida uma placa específica para a cirurgia.
Confiante em sua invenção, Dr. Slocum patenteou a técnica, a placa e os instrumentos. Por anos, isso exigiu que os cirurgiões passassem por um treinamento específico para realizar o procedimento. Embora garantisse um alto padrão de qualidade, essa medida também limitou a disseminação inicial da TPLO e gerou controvérsias no meio veterinário.
O divisor de águas ocorreu no início dos anos 2000, com a expiração das patentes. Este evento “democratizou” o acesso à cirurgia, permitindo que outras empresas desenvolvessem suas próprias versões de placas e instrumentos. A concorrência estimulou a inovação, resultando em implantes mais avançados e seguros, como as placas de bloqueio com contornos anatômicos.
Com mais cirurgiões realizando e pesquisando a TPLO, um vasto corpo de evidências científicas foi construído, solidificando sua posição como o padrão-ouro no tratamento. Hoje, o legado do Dr. Slocum não está apenas na placa que ele inventou, mas na mudança de paradigma que provocou, ensinando a ortopedia veterinária a priorizar a biomecânica para resolver problemas complexos.
Cirurgia TPLO em Cães: Resultado em Mobilidade e Funcionalidade
Diante de um diagnóstico de ruptura do LCC, a questão do tratamento se impõe. Embora o manejo conservador (não cirúrgico), baseado em repouso, controle de peso, medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia, possa ser tentado, seus resultados são geralmente insatisfatórios para a maioria dos cães, especialmente aqueles com mais de 7-9 kg (15-20 lbs) ou com estilo de vida ativo.3 Cerca de 85% dos cães tratados conservadoramente não recuperam uma função clínica considerada boa, e muitos desenvolvem osteoartrite significativa e dor crônica.3
Isso ocorre porque o tratamento conservador não aborda a causa fundamental do problema: a instabilidade articular resultante da falha do LCC. Como o ligamento rompido não cicatriza, a instabilidade persiste, levando a dor e degeneração articular progressiva. Por isso, para a maioria dos cães, a cirurgia é a opção de tratamento recomendada para restaurar a estabilidade do joelho de forma permanente, aliviar a dor e minimizar os danos articulares a longo prazo. A intervenção cirúrgica precoce também pode diminuir o risco de lesões meniscais secundárias.
Desvendando a Técnica TPLO: Como Funciona?
Existem várias técnicas cirúrgicas para tratar a ruptura do LCC em cães. A Osteotomia Niveladora do Platô Tibial (TPLO) é uma das mais realizadas e estudadas, especialmente em cães de médio a grande porte e ativos.
O princípio da TPLO é engenhoso. Ela não tenta “reparar” ou “substituir” o ligamento rompido, pois o LCC canino tem pouca capacidade de cicatrização e os substitutos ligamentares não se mostraram consistentemente eficazes em cães como são em humanos. Em vez disso, a TPLO modifica a biomecânica da própria articulação do joelho para eliminar a necessidade funcional do LCC.
A chave está na inclinação natural da superfície articular superior da tíbia, chamada de platô tibial. Em muitos cães, esse platô tem uma inclinação para trás. Quando o cão apoia o peso na perna com o LCC rompido, essa inclinação faz com que o fêmur “escorregue” para trás sobre o platô inclinado, forçando a tíbia a se deslocar para frente – o chamado “impulso tibial cranial”. É essa instabilidade dinâmica que causa dor e danos articulares.
A TPLO aborda isso diretamente:
- Osteotomia: O cirurgião realiza um corte ósseo curvo (osteotomia) na parte superior da tíbia, logo abaixo da superfície articular.
- Rotação: O fragmento ósseo proximal (o platô tibial) é cuidadosamente rotacionado para diminuir sua inclinação, tornando-o quase perpendicular à força exercida pelo tendão patelar durante o apoio. O objetivo é atingir um ângulo pós-operatório próximo ao nível (geralmente em torno de 5 graus).
- Fixação: Uma vez na posição corrigida, o platô tibial é estabilizado com uma placa de osso metálica especialmente desenhada e parafusos. Placas e parafusos bloqueados são frequentemente usados, oferecendo maior estabilidade à fixação.

Os implantes (placa e parafusos) geralmente permanecem no local por toda a vida do animal e raramente precisam ser removidos, a menos que ocorra alguma complicação específica, como infecção ou irritação local.
A genialidade da TPLO reside no fato de que ela não depende da cicatrização do ligamento (que não ocorre) nem da longevidade de um substituto artificial (que pode falhar ou afrouxar com o tempo, como visto em algumas técnicas de sutura). Ao alterar fundamentalmente as forças que atuam sobre a articulação durante o movimento e o apoio, a TPLO cria uma estabilidade dinâmica e duradoura baseada na nova geometria óssea. É essa abordagem biomecânica que a torna uma solução tão robusta e confiável, particularmente para cães maiores, mais pesados ou muito ativos, que colocam demandas maiores sobre a articulação do joelho.
Vantagens da Técnica TPLO para Cães Ativos ou de Grande Porte
A TPLO tornou-se uma das cirurgias ortopédicas mais recomendadas por cirurgiões veterinários para a ruptura do LCC por várias razões:
Resultados Funcionais Superiores
Numerosos estudos e a experiência clínica demonstram que a TPLO proporciona excelentes resultados a longo prazo, com altas taxas de retorno à função normal ou próxima do normal. Relatos indicam que 90-95% dos cães retornam aos seus níveis de atividade anteriores após a recuperação completa. Estudos comparativos sugerem que a TPLO pode resultar em melhor função objetiva e maior satisfação do tutor em comparação com outras técnicas, especialmente em prazos mais longos.
Retorno Precoce ao Uso do Membro
Muitos cães começam a apoiar o peso na perna operada relativamente cedo após a TPLO, às vezes em poucos dias. Embora a recuperação completa leve meses, esse uso precoce ajuda a minimizar a atrofia muscular e acelerar a reabilitação funcional. A longo prazo, a TPLO frequentemente demonstra resultados iguais ou superiores a outras técnicas no quesito recuperação.
Menor Progressão da Osteoartrite (OA)
Nenhuma cirurgia pode reverter a OA já existente, mas ao restaurar a estabilidade articular de forma eficaz, a TPLO ajuda a minimizar o dano contínuo à cartilagem. Com isso, retarda significativamente a progressão da OA em comparação com o tratamento não cirúrgico, o que se traduz em maior conforto e melhor função para o cão a longo prazo.
Aplicabilidade Ampla
A TPLO é adequada para uma ampla gama de pacientes, mas é particularmente indicada para cães de raças médias, grandes e gigantes, cães muito ativos ou atletas caninos, e aqueles com uma inclinação excessiva do platô tibial (alto Ângulo do Platô Tibial – TPA).
Para auxiliar na compreensão das opções, a tabela abaixo compara resumidamente a TPLO com outras técnicas comuns:
| Técnica | Mecanismo Principal | Paciente Ideal (Generalizado) | Recuperação Inicial | Estabilidade/Função a Longo Prazo | Complicações Comuns |
|---|---|---|---|---|---|
| TPLO | Osteotomia niveladora (altera biomecânica) | Médios/Grandes, Ativos, Alto TPA | Geralmente rápida | Excelente | Infecção, problemas com implante, lesão meniscal tardia. |
| TTA | Osteotomia de avanço (altera biomecânica) | Similar TPLO (algumas conformações/TPA podem ser menos ideais) | Rápida | Boa a Excelente | Similar TPLO, fratura da tuberosidade tibial, lesão meniscal tardia. |
| Sutura Extracapsular (Ex-Cap/Lateral/TightRope®) | Sutura externa (imita função do LCC) | Pequenos (<15kg), Menos Ativos, Cães mais velhos, Baixo Custo. | Variável | Boa(risco de falha/afrouxamento) | Falha da sutura, infecção, irritação, instabilidade residual. |
Chiquinha – A Vira-Lata que fez TPLO Bilateral – Recuperação 4 Semanas Pós-operatória
Chiquinha, nossa adorável vira-lata de 7 anos, conhecida por sua doçura e paixão por buscar bolinhas, enfrentou um período de grande provação que testou a força de todos. Tudo começou com uma parada súbita: ela não apoiava mais a pata traseira esquerda, diagnosticada com ruptura do ligamento cruzado. A esperança trazida pela primeira cirurgia (TPLO) foi abruptamente interrompida quando, apenas alguns dias após o procedimento, mesmo em repouso absoluto, o ligamento da pata direita também se rompeu, agravado por uma luxação de patela preexistente. A notícia de uma segunda cirurgia inevitável, combinando TPLO e correção da luxação, trouxe angústia e a perspectiva de um desafio ainda maior para nossa pequena guerreira e sua dedicada família.
O caminho da recuperação foi longo e silencioso, especialmente no período entre as cirurgias, com Chiquinha impedida de fazer o que mais amava. Os dias exigiram paciência, cuidados intensivos e muito amor para manter seu espírito aceso em meio ao repouso forçado. Contudo, a resiliência de Chiquinha brilhou intensamente. Desafiando todas as expectativas, apenas quatro semanas após o segundo procedimento complexo, ela já estava de volta às suas brincadeiras, como mostra um vídeo emocionante da época, ainda com as marcas da cirurgia, mas visivelmente plena e feliz.
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Agende uma consulta com nosso cirurgiãoComo é Realizada a Cirurgia TPLO em Cães
A segurança e o sucesso da cirurgia TPLO dependem de um planejamento cuidadoso, execução precisa e atenção aos detalhes em todas as fases.
Preparo e Anestesia
Antes da cirurgia, é fundamental avaliar a saúde geral do paciente. Exames de sangue pré-operatórios são realizados para verificar a função dos órgãos vitais e garantir que o cão esteja apto a passar pela anestesia. O manejo eficaz da dor é iniciado antes mesmo da cirurgia, muitas vezes com técnicas como bloqueios epidurais, e continua durante e após o procedimento para garantir o conforto do animal.
O Procedimento Cirúrgico TPLO: Passo a Passo
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Avaliação e Planejamento Pré-Cirúrgico
Radiografias de alta qualidade do joelho são obtidas em posições específicas. O cirurgião mede cuidadosamente o ângulo do platô tibial (TPA) nessas imagens para determinar exatamente quanto o osso precisa ser rotacionado. Esse planejamento pré-operatório é crucial para o sucesso da cirurgia.
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Abordagem Cirúrgica e Inspeção Articular
É feita uma incisão na pele sobre a região do joelho. O cirurgião pode optar por inspecionar o interior da articulação através de uma pequena incisão (artrotomia) ou usando uma câmera (artroscopia). Isso permite confirmar a ruptura do LCC e, muito importante, avaliar os meniscos. Se houver uma lesão meniscal (o que é comum), a parte danificada é removida.
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Realização da Osteotomia (Corte Ósseo)
Utilizando um gabarito cirúrgico (jig) para guiar o corte e proteger estruturas adjacentes, o cirurgião usa uma serra óssea oscilante com uma lâmina curva especial para realizar o corte preciso na parte superior da tíbia. A qualidade da lâmina e da técnica é importante para minimizar o dano térmico ao osso.
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Rotação e Fixação com Implantes
O fragmento ósseo (platô tibial) é então rotacionado o grau exato determinado no planejamento. Uma vez na posição correta, ele é fixado firmemente com uma placa TPLO específica e parafusos ósseos. O uso de sistemas de placas bloqueadas proporciona uma construção extremamente estável, o que é fundamental para a cicatrização óssea.
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Fechamento e Curativo
Após a confirmação da posição correta dos implantes com radiografias, a incisão cirúrgica é fechada em várias camadas (músculo, tecido subcutâneo e pele). Um curativo estéril e uma bandagem leve são aplicados sobre a incisão para proteger o local.
Ilustração passo a passo do procedimento cirúrgico TPLO, destacando a precisão do corte ósseo e da aplicação da placa e parafusos para estabilização. (Se vídeo da AO Foundation for encontrado: “Vídeo 3D: Técnica TPLO – AO Foundation“).
A Recuperação Após TPLO: Cuidados e Reabilitação Essenciais
A cirurgia TPLO é apenas o começo da jornada de recuperação. O sucesso a longo prazo depende enormemente dos cuidados pós-operatórios e de um programa de reabilitação adequado. A cicatrização óssea da osteotomia é um processo biológico que leva tempo – geralmente cerca de 8 semanas para uma boa consolidação inicial, podendo se estender por até 12 semanas para atingir a força máxima. Durante este período, o manejo cuidadoso é crucial.
Cuidados Pós-Operatórios Imediatos
O que Esperar (Recuperação após TPLO)
Após a cirurgia, o cão pode permanecer hospitalizado por um curto período para monitoramento da dor e cuidados iniciais. Ao retornar para casa, a responsabilidade passa para o tutor, que deve seguir rigorosamente as orientações veterinárias:
Restrição Absoluta de Atividade
Este é talvez o ponto mais crítico. O cão deve ser mantido confinado em um espaço pequeno (como um cercado, kennel ou cômodo pequeno) sempre que não estiver sob supervisão direta. Nenhuma corrida, pulos (em móveis, escadas, pessoas), ou brincadeiras bruscas são permitidos. As saídas para as necessidades fisiológicas devem ser sempre feitas com guia curta, em caminhadas lentas e controladas, apenas o tempo suficiente para urinar e defecar. Pisos escorregadios devem ser cobertos com tapetes antiderrapantes. O acesso a escadas deve ser bloqueado ou, se inevitável, o cão deve ser auxiliado com um suporte (harness).
Cuidados com a Incisão
A ferida cirúrgica deve ser mantida limpa e seca. O uso de um colar elisabetano (“cone”) é essencial por aproximadamente 10-14 dias para impedir que o cão lamba ou morda a incisão, o que poderia causar infecção ou deiscência (abertura dos pontos). A incisão deve ser monitorada diariamente para detectar sinais de infecção: vermelhidão excessiva, inchaço, calor, secreção purulenta ou odor desagradável. Qualquer alteração suspeita deve ser comunicada imediatamente ao veterinário. Se houver bandagem, seguir as instruções para mantê-la limpa e seca.
Administração de Medicamentos
Analgésicos (para controle da dor) e, eventualmente, antibióticos devem ser administrados exatamente conforme a prescrição veterinária. É crucial completar todo o ciclo de tratamento, mesmo que o cão pareça estar melhor. Caso ocorram efeitos colaterais como vômito, diarreia ou perda de apetite, o veterinário deve ser contatado.
Crioterapia (Gelo)
A aplicação de compressas de gelo na região do joelho por 10-15 minutos, 2 a 3 vezes ao dia, especialmente após as curtas caminhadas, pode ajudar a reduzir o inchaço e a dor nos primeiros dias após a cirurgia.
Reabilitação Pós-TPLO: Fisioterapia e Exercícios Guiados
A reabilitação física desempenha um papel vital na recuperação após a TPLO. Ela ajuda a prevenir a rigidez articular, minimizar a atrofia muscular (que ocorre rapidamente com o desuso), melhorar a amplitude de movimento, acelerar o retorno à função normal e promover o bem-estar geral do cão durante o período de restrição.
Mesmo que a fisioterapia formal não seja realizada, o tutor pode realizar alguns exercícios em casa, sempre sob orientação veterinária:
Dicas para a Reabilitação em Casa
Recuperação Progressiva após TPLO
Fase Inicial
(Semanas 1-4)- Exercícios de amplitude de movimento passivo (PROM): Com o cão deitado de lado, flexionar e estender suavemente o joelho operado, dentro da amplitude confortável, várias vezes ao dia.
- Caminhadas controladas na guia: Muito curtas (5 minutos), lentas, em superfície plana, 2-3 vezes ao dia, apenas para necessidades. Aumentar gradualmente a duração conforme orientação.
- Exercícios de transferência de peso: Incentivar o cão a apoiar peso na perna operada por curtos períodos enquanto está parado.
Fase Intermediária
(Semanas 4-8)- Aumento gradual das caminhadas na guia: Conforme tolerado e orientado, aumentar a duração (até 15-20 minutos) e introduzir lentamente superfícies levemente inclinadas.
- Exercícios de sentar-levantar: Realizar repetições controladas e lentas para fortalecer a musculatura.
- Exercícios em água (se disponível e liberado): Caminhadas em esteira aquática ou natação controlada são excelentes por não terem impacto (após cicatrização completa da incisão).
Fase Tardia
(Semanas 8-12+)- Avaliação Radiográfica: Por volta de 8 semanas, radiografias de controle são geralmente realizadas para confirmar a cicatrização óssea.
- Progressão da Atividade: Se a cicatrização estiver adequada, o veterinário orientará um aumento gradual da intensidade e duração das atividades, como caminhadas mais longas e trote controlado na guia.
- Retorno Gradual à Normalidade: O retorno completo a atividades de alto impacto (correr livremente, pular, buscar objetos) deve ser muito gradual e pode levar de 4 a 6 meses ou mais, dependendo da evolução individual e da liberação veterinária.

É crucial seguir as recomendações específicas do cirurgião e do fisioterapeuta, pois cada caso é único.
Cirurgia TPLO em Cães: Indicações, Riscos e Expectativas
A decisão pela cirurgia TPLO envolve considerar não apenas os benefícios, mas também as indicações específicas e os potenciais riscos.
Quando a Cirurgia TPLO é a Melhor Indicação?
A TPLO é frequentemente considerada o procedimento de escolha em várias situações-chave:
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Porte e Peso
Cães de raças médias, grandes e gigantes geralmente se beneficiam mais da estabilidade robusta oferecida pela TPLO. Muitos cirurgiões a recomendam para cães acima de 15-20 kg.
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Nível de Atividade
Cães jovens, ativos, de trabalho ou atletas caninos necessitam de uma articulação o mais estável e funcional possível a longo prazo, o que a TPLO tende a proporcionar.
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Conformação Anatômica
Cães com uma inclinação excessiva do platô tibial (TPA alto) podem ter resultados menos previsíveis com outras técnicas, tornando a TPLO a opção mais lógica para neutralizar essa biomecânica desfavorável.
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🩹
Rupturas Parciais do Ligamento
Mesmo em rupturas parciais, a TPLO pode ser indicada para prevenir a progressão para ruptura completa e deter o dano articular associado à instabilidade, ajudando a descarregar o ligamento restante.
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Falha de Tratamentos Anteriores
Indicada para cães onde o manejo conservador (não cirúrgico) não produziu melhora satisfatória ou em casos de falha de outras técnicas cirúrgicas.
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🤝
Compromisso do Tutor
A TPLO exige um período pós-operatório rigoroso. Tutores que compreendem e se comprometem com as restrições e a reabilitação são essenciais para o sucesso do procedimento.
Está na Grande Florianópolis?
Agende uma consulta com nosso cirurgiãoPossíveis Complicações e Como Minimizá-las
Embora a TPLO seja uma cirurgia com altas taxas de sucesso (frequentemente acima de 90% para retorno a boa função), como qualquer procedimento cirúrgico, ela não está isenta de riscos. É importante que os tutores estejam cientes das possíveis complicações, que podem incluir:
- Infecção: Pode ser superficial (na pele) ou profunda, afetando o osso e/ou os implantes. As taxas de infecção relatadas variam, mas podem ocorrer em cerca de 3-10% dos casos.
- Problemas com Implantes: Embora raro, os implantes podem quebrar, afrouxar ou os parafusos podem sair do osso, especialmente se o cão for excessivamente ativo antes da cicatrização completa.
- Lesão Meniscal Tardia: Alguns cães podem desenvolver uma lesão no menisco semanas ou meses depois, causando um retorno súbito da claudicação e podendo exigir uma segunda cirurgia.
- Atraso ou Falha na Cicatrização Óssea (Não-União): Em casos raros, a osteotomia pode não cicatrizar adequadamente no tempo esperado.
- Outras: Complicações menos comuns incluem fratura da tíbia, problemas com o ligamento patelar ou alterações no ângulo do platô tibial ao longo do tempo.
As taxas gerais de complicações relatadas variam entre os estudos, mas uma metanálise pode indicar algo em torno de 10-20%, sendo que as complicações maiores (que requerem intervenção adicional) são menos frequentes.
A boa notícia é que muitos desses riscos podem ser minimizados:
- Escolha do Cirurgião e Hospital: Optar por um cirurgião veterinário experiente em TPLO e uma instalação bem equipada, como o Hospital Veterinário iPet, aumenta as chances de um procedimento tecnicamente perfeito.
- Seguimento Rigoroso das Instruções Pós-operatórias: Este é um fator crucial sob controle do tutor. A restrição estrita de atividade nas primeiras 8 semanas é vital para permitir a cicatrização óssea.
- Controle de Peso: Manter o cão em um peso corporal ideal reduz o estresse na articulação operada e no joelho contralateral.
- Acompanhamento Veterinário: Comparecer a todas as consultas de retorno e radiografias de controle permite detectar e tratar precocemente quaisquer problemas.
A colaboração entre a equipe cirúrgica e o tutor é fundamental. A habilidade do cirurgião estabelece a base para a recuperação, mas é a dedicação do tutor durante o período pós-operatório que garante que o processo de cicatrização ocorra sem intercorrências. A falha em seguir as restrições de atividade ou em prevenir a lambedura da incisão pode levar diretamente a complicações sérias como falha do implante ou infecção profunda. Portanto, a comunicação clara sobre as expectativas e responsabilidades do tutor é essencial.
Qual o valor da Cirurgia de TPLO?
O custo do procedimento de TPLO em si geralmente fica entre R$2.000 e R$4.000. Contudo, os gastos totais podem ser mais elevados, variando de R$6.000 a R$10.000 ao incluir despesas como exames pré-operatórios, anestesia, internação e o tratamento pós-operatório. É importante lembrar que esses valores são estimativas e podem variar bastante dependendo da clínica, da região e da complexidade de cada caso.
Perguntas Frequentes sobre a Cirurgia TPLO em Cães (FAQ)

Quanto tempo um cão levará para se recuperar totalmente da TPLO?
A cicatrização óssea inicial leva aproximadamente 8 a 12 semanas.4 Durante esse tempo, o cão já estará usando a perna, mas com restrições. A recuperação completa, incluindo o fortalecimento muscular e o retorno à função máxima, pode levar de 4 a 6 meses.9 O retorno às atividades normais deve ser sempre gradual e supervisionado pelo veterinário.
A placa e os parafusos da TPLO precisam ser removidos?
Na grande maioria dos casos, não. Os implantes são feitos de materiais biocompatíveis (como aço inoxidável cirúrgico ou titânio) e são projetados para permanecer no local permanentemente. A remoção só é considerada se surgirem complicações específicas, como infecção crônica que não responde a antibióticos, ou irritação significativa dos tecidos moles sobre o implante.1
Um cão terá artrite mesmo após a cirurgia TPLO?
Sim, é importante entender que a osteoartrite (OA) começa a se desenvolver assim que o LCC se rompe, devido à instabilidade e inflamação na articulação.2 A cirurgia TPLO estabiliza o joelho, o que é crucial para retardar drasticamente a progressão da OA e aliviar a dor associada à instabilidade. No entanto, ela não pode eliminar a OA que já se instalou. A maioria dos cães operados com TPLO torna-se muito mais confortável e funcional, podendo apresentar apenas alguma rigidez ocasional, especialmente após exercícios intensos ou longos períodos de descanso.9
Se um cão rompeu um ligamento, o outro joelho está em risco?
Sim, definitivamente. Como a ruptura do LCC em cães é primariamente uma doença degenerativa, os fatores que levaram à ruptura em um joelho (genética, conformação, peso, etc.) provavelmente estão presentes no outro. Estudos mostram que 40% a 60% dos cães com ruptura unilateral do LCC desenvolverão o mesmo problema no joelho contralateral em algum momento futuro.1 O manejo do peso e a manutenção de uma boa condição física são importantes para proteger ambos os joelhos.
Quais são as alternativas à cirurgia TPLO?
Além da TPLO, outras técnicas cirúrgicas para estabilizar o joelho incluem o Avanço da Tuberosidade Tibial (TTA), que também é uma osteotomia que altera a biomecânica, e várias técnicas de sutura extracapsular (fora da articulação), como a Sutura Fabelo-Tibial Lateral (ou Sutura Lateral) e o método TightRope®, que usam suturas fortes para mimetizar a função do LCC.1 A escolha da técnica mais apropriada depende de muitos fatores, incluindo o tamanho, peso e idade do cão, seu nível de atividade, a conformação do joelho (incluindo o TPA), a presença de outras condições ortopédicas, a experiência e preferência do cirurgião, e considerações de custo. O tratamento não cirúrgico (conservador) raramente é uma boa opção para cães de médio a grande porte ou ativos.3 Uma discussão detalhada com o cirurgião veterinário ajudará a determinar a melhor abordagem para cada paciente individualmente.
Um Cão Merece Voltar a Correr Feliz: Agende uma Avaliação no Hospital iPet
A ruptura do ligamento cruzado cranial pode ser uma condição dolorosa e limitante, mas com diagnósticos precisos e tratamentos avançados como a cirurgia TPLO, há uma excelente perspectiva de recuperação. A TPLO oferece uma solução biomecânica robusta que pode restaurar a estabilidade do joelho, aliviar a dor e permitir que os cães voltem a desfrutar de uma vida ativa e feliz.
Se houver suspeita de que um cão possa ter uma lesão no ligamento cruzado, ou se ele apresentar claudicação persistente, a avaliação por um profissional qualificado não deve ser adiada. A equipe de ortopedia especializada do Hospital iPet possui a experiência e os recursos necessários para diagnosticar corretamente a condição e discutir as melhores opções de tratamento, incluindo a cirurgia TPLO.
O agendamento de uma avaliação ortopédica é o primeiro passo para entender a causa da claudicação e descobrir como a medicina veterinária moderna pode devolver a alegria de correr e brincar ao animal de companhia. Recomenda-se entrar em contato com o Hospital iPet para marcar uma consulta.
Disclaimer: Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um médico veterinário qualificado. Cada caso é único e requer avaliação individualizada.,

Autor
William Tullio Conti
Médico Veterinário
CRMVSC – 6927